Arquitectura
Construções tradicionais para impedir uniformização das casas
As construções sustentáveis podem ser uma via para a manutenção das arquitecturas tradicionais, ajudando a preservar as edificações típicas e a perpetuar características culturais, explicou o arquitecto Miguel Amado à agência Lusa.

No encerramento do I Encontro de Centros Históricos de Lima 2007, que teve lugar na capital peruana, o docente de urbanismo Félix Benito Martín alertou para o risco de a arquitectura mundial perder a diversidade e as características locais devido ao fenómeno da globalização, que uniformiza as construções.
Uma hipótese que Miguel Amado afirma não ter viabilidade "se se mantiverem as construções populares adequadas à geografia das terras, ao clima e à diversidade das gentes".
"Falar em uniformização é muito rígido, pois embora existam na Europa tendências para seguir modelos e conceitos de determinados arquitectos, tudo indica que as pessoas procuram a individualização, o que se estende à arquitectura", defendeu o também docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Na opinião do arquitecto português, "as construções tradicionais, que constituem também um traço cultural, asseguram a variedade de registos arquitectónicos e permitem uma melhor qualidade de vida, pois se não faz sentido ter uma casa algarvia em Viseu, também não se imagina uma casa de granito em Faro".
Em Lima, o catedrático Félix Benito Martín também defendeu a necessidade de se construírem casas que sejam contemporâneas por dentro mas conservem a sua traça externa original, de modo a servirem "como uma referência do passado para o futuro".Justificando a sua apreensão com a globalização da arquitectura, Benito Martín afirmou que "no Japão já não resta nada das habitações tradicionais".
O I Encontro de Centros Históricos de Lima 2007 reuniu especialistas da Bolívia, Itália, Panamá, Brasil e Espanha para analisar a importância de preservar o património mundial.
<< Home